É sempre assim. Podemos ignorar os sintomas, olhar para o lado e fingir que não vemos, enganar o cérebro ao desviar-lhe a atenção para outras coisas ou até arrastar mais um bocadinho, deixar para amanhã ou para depois. Mas sabemos. Sabemos perfeitamente o minuto em que começou o fim, em que cá dentro as coisas mudaram e não voltarão a ser o que foram um dia. Por mais que não queiramos há aquela vozinha lá bem no fundo de nós que nos sussurra baixinho que chegou a hora, que é altura de fazer as malas porque este lugar já não nos faz falta. Podemos demorar um bocadinho a verbalizar ou a agir, mas antes de declarar o fim já há muito que o sabíamos.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
Tu
Sei muito bem o minuto em que me apaixonei por ti. E não foi do nada. Foi do tudo que tu és. Vou -te conhecendo aos poucos, consoante tu deixas, e vou reconhecendo que as certezas que eu tive naquele minuto sobre o que sinto por ti são efectivamente certezas antecipadas provocadas por aquelas premonições que só os grandes sentimentos permitem. Porque tu surgiste, passei a ver a vida de outra maneira. Pode ser "la vie en rouge", se quiseres, ou "la vie em bleu", por ser a tua cor preferida. Aliás, pode ser o que tu quiseres, porque a minha vida passou a fazer sentido contigo. E isto, querido, não se explica. Não se explica a preocupação, não se explica a vontade de querer fazer tudo bem e, não obstante, errar tantas vezes. Não se explica a impotência por não conseguir ter a varinha mágica que resolve tudo para ti e de que tu nem precisas, porque és crescido e vences a vida todos os dias. Não se explicam sentimentos, nem desejos. Nestas coisas do coração, sente-se e pronto. E não há mas nem meio mas, nem rápido demais e nem depois. A vida é breve e só não quero não ter tempo de viver tudo contigo. Porque tu és o homem da minha vida.
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