Não sou mãe. (Ainda.) E não o sou por opção, porque, acima de tudo, acho que há que encontrar um muito bom pai. (Como eu tenho e que me fez pôr a fasquia tão alta. Felizmente.)
A decisão de ter um filho engloba a decisão de ter de conviver com o pai dele até ao fim da vida, debaixo do mesmo tecto ou não. Por isso, francamente, não consigo compreender e revolta-me a sério o egoísmo das mães que, frustradas, quando a coisa não dá certo com os pais, lhes negam ou dificultam o convívio com os filhos. O amor, que se diz incondicional, pelos filhos, nestes casos, afinal tem condições. Tem, claramente, a falta de respeito pelo pai, que um dia, foi a pessoa mais importante na vida. Mas tem, sobretudo, a falta de respeito pelo filho e a cegueira egocêntrica que terá repercussões em alguém que se quer, forçosamente, uma adulto como deve ser.
Os filhos não são propriedade de ninguém. São pessoas. São pessoas que nem sequer pediram para nascer e que têm o direito de conviver com a mãe e com o pai por si e, sobretudo, de terem uma opinião e uma ideia formada sobre cada um deles por si mesmo, aos bocadinhos, ao longo dos anos. Não têm de tomar partido, nem de optar por um lado da barricada para agradar. Não têm, muito menos, de ser forçados ou influenciados a isso.
A vitimização dessas pretensas mães fica-lhes mal. Fá-las pessoas azedas e mal resolvidas, por quem ninguém tem respeito nem apreço. Alimentam e alimentam-se ódios. A vida a dois é difícil e nem sempre dá certo. Todos sabemos, todos já passámos por isso. Não ser um bom marido não quer dizer que não se seja um bom pai. Uma pessoa pode dizer que já não quer mais ser mulher de ou marido de, mas jamais poderá dizer que não quer ser mãe ou pai de. E se não pode dizer que não quer, não tem o direito de dizer ao outro: não podes ser.
Tomei a decisão de ser mãe. Precisamente porque encontrei um óptimo pai. Um que, tenho a certeza, vai ser igual ao meu. E isso é tudo o que é preciso.