quarta-feira, 29 de julho de 2015

Não sou mãe. (Ainda.) E não o sou por opção, porque, acima de tudo, acho que há que encontrar um muito bom pai. (Como eu tenho e que me fez pôr a fasquia tão alta. Felizmente.) 
A decisão de ter um filho engloba a decisão de ter de conviver com o pai dele até ao fim da vida, debaixo do mesmo tecto ou não. Por isso, francamente, não consigo compreender e revolta-me a sério o egoísmo das mães que, frustradas, quando a coisa não dá certo com os pais, lhes negam ou dificultam o convívio com os filhos. O amor, que se diz incondicional, pelos filhos, nestes casos, afinal tem condições. Tem, claramente, a falta de respeito pelo pai, que um dia, foi a pessoa mais importante na vida. Mas tem, sobretudo, a falta de respeito pelo filho e a cegueira egocêntrica que terá repercussões em alguém que se quer, forçosamente, uma adulto como deve ser. 
Os filhos não são propriedade de ninguém. São pessoas. São pessoas que nem sequer pediram para nascer e que têm o direito de conviver com a mãe e com o pai por si e, sobretudo, de terem uma opinião e uma ideia formada sobre cada um deles por si mesmo, aos bocadinhos, ao longo dos anos. Não têm de tomar partido, nem de optar por um lado da barricada para agradar. Não têm, muito menos, de ser forçados ou influenciados a isso.
A vitimização dessas pretensas mães fica-lhes mal. Fá-las pessoas azedas e mal resolvidas, por quem ninguém tem respeito nem apreço. Alimentam e alimentam-se ódios. A vida a dois é difícil e nem sempre dá certo. Todos sabemos, todos já passámos por isso. Não ser um bom marido não quer dizer que não se seja um bom pai. Uma pessoa pode dizer que já não quer mais ser mulher de ou marido de, mas jamais poderá dizer que não quer ser mãe ou pai de. E se não pode dizer que não quer, não tem o direito de dizer ao outro: não podes ser.
Tomei a decisão de ser mãe. Precisamente porque encontrei um óptimo pai. Um que, tenho a certeza, vai ser igual ao meu. E isso é tudo o que é preciso.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Lido mal com a mentira. Muito mal mesmo. Aliás, não sei lidar. E não quero saber. Não quero viver assim e ponto final. 
Porque não vejo interesse em estar sempre a ler nas entrelinhas, porque o confronto é desgastante, porque se despende muito mais energia do que a necessária para compreender o que bem explicado se aceita ou se discute, porque não gosto que me dourem a pílula nem que façam pouco da minha inteligência. 
Dizem que há coisas que as pessoas não aceitam, sobretudo quando envolvem sentimentos, mas essa teoria não me convence. Se não se aceita a verdade, se uma pessoa tem de pintar um quadro que não corresponde ao que faz nem ao que sente para nos agradar, engana-nos duas vezes: uma objetiva porque diz que faz o que não faz ou não diz o que faz; outra, e mais grave, porque nos envolve por algo que não existe. 
Pior que tudo é que a mentira promove a imaginação alheia. Descoberta a primeira, e mesmo que se deixe passar que se faça de conta que não se percebeu, alguma coisa que nada tem de bom lá fica. E é normal somar dois mais dois e muito fácil acrescentar mais um outro e ver coisas até onde não existem. Se as coisas não têm maldade, se são simples e não são nada de mais, porquê mentir? Para quê dar espaço ao outro para fazer filmes e sofrer com eles? As mentiras não poupam sofrimento. Dizem-se que penas que não se vêem não se sentem. A questão é que nunca se sabe ao certo o que o outro lado vê. 

segunda-feira, 11 de maio de 2015

De certo, porque a ideia, contrariamente ao antes sentido, me vem, agora, à cabeça recorrentemente, chego, agora, à conclusão quer ser pai e/ou mãe não deve ser mesmo nada fácil. Não me refiro às noites sem dormir do início, nem ao desespero que deve ser ter de adivinhar o que sente um ser inteiramente à nossa responsabilidade para os actos mais elementares da sobrevivência, nem sequer ao viver em função de, com o coração nas mãos. Refiro-me ao educar. A esse educar que pressupõe pôr a cabeça à frente do coração e dizer não por mais que doa, que pressupõe tirar o coração do peito e ver o que saiu de nós como o vêem os outros e, por isso, corrigir, chamar a atenção e perceber que, se calhar, não há forma de vencer a genética e que há lutas que se perdem irremediavelmente mas que, mesmo assim, não se pode virar costas e desistir. E é esse educar que me assusta. Esse limbo entre o dar a liberdade e ensinar onde ela termina, em incutir sentido de responsabilidade e aproveitar a vida. Porque sei que há um momento decisivo: em que se forma uma pessoa ou se a perde de vez.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O princípio do fim

É sempre assim. Podemos ignorar os sintomas, olhar para o lado e fingir que não vemos, enganar o cérebro ao desviar-lhe a atenção para outras coisas ou até arrastar mais um bocadinho, deixar para amanhã ou para depois. Mas sabemos. Sabemos perfeitamente o minuto em que começou o fim, em que cá dentro as coisas mudaram e não voltarão a ser o que foram um dia. Por mais que não queiramos há aquela vozinha lá bem no fundo de nós que nos sussurra baixinho que chegou a hora, que é altura de fazer as malas porque este lugar já não nos faz falta. Podemos demorar um bocadinho a verbalizar ou a agir, mas antes de declarar o fim já há muito que o sabíamos.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Tu

Sei muito bem o minuto em que me apaixonei por ti. E não foi do nada. Foi do tudo que tu és. Vou -te conhecendo aos poucos, consoante tu deixas, e vou reconhecendo que as certezas que eu tive naquele minuto sobre o que sinto por ti são efectivamente certezas antecipadas provocadas por aquelas premonições que só os grandes sentimentos permitem. Porque tu surgiste, passei a ver a vida de outra maneira. Pode ser "la vie en rouge", se quiseres, ou "la vie em bleu", por ser a tua cor preferida. Aliás, pode ser o que tu quiseres, porque a minha vida passou a fazer sentido contigo.  E isto, querido, não se explica. Não se explica a preocupação, não se explica a vontade de querer fazer tudo bem e, não obstante, errar tantas vezes. Não se explica a impotência por não conseguir ter a varinha mágica que resolve tudo para ti e de que tu nem precisas, porque és crescido e vences a vida todos os dias. Não se explicam sentimentos, nem desejos. Nestas coisas do coração, sente-se e pronto. E não há mas nem meio mas, nem rápido demais e nem depois. A vida é breve e só não quero não ter tempo de viver tudo contigo. Porque tu és o homem da minha vida.

domingo, 21 de dezembro de 2014