Lido mal com a mentira. Muito mal mesmo. Aliás, não sei lidar. E não quero saber. Não quero viver assim e ponto final.
Porque não vejo interesse em estar sempre a ler nas entrelinhas, porque o confronto é desgastante, porque se despende muito mais energia do que a necessária para compreender o que bem explicado se aceita ou se discute, porque não gosto que me dourem a pílula nem que façam pouco da minha inteligência.
Dizem que há coisas que as pessoas não aceitam, sobretudo quando envolvem sentimentos, mas essa teoria não me convence. Se não se aceita a verdade, se uma pessoa tem de pintar um quadro que não corresponde ao que faz nem ao que sente para nos agradar, engana-nos duas vezes: uma objetiva porque diz que faz o que não faz ou não diz o que faz; outra, e mais grave, porque nos envolve por algo que não existe.
Pior que tudo é que a mentira promove a imaginação alheia. Descoberta a primeira, e mesmo que se deixe passar que se faça de conta que não se percebeu, alguma coisa que nada tem de bom lá fica. E é normal somar dois mais dois e muito fácil acrescentar mais um outro e ver coisas até onde não existem. Se as coisas não têm maldade, se são simples e não são nada de mais, porquê mentir? Para quê dar espaço ao outro para fazer filmes e sofrer com eles? As mentiras não poupam sofrimento. Dizem-se que penas que não se vêem não se sentem. A questão é que nunca se sabe ao certo o que o outro lado vê.
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